Interaja com a gente!

Um dia com Michel

Sair de si e conhecer o olhar do outro é propósito de mais um projeto do Atitude Inicial.
No mundo do repórter Michel Bermudes, redescobrimos nossos significados para a vida. 

A entrada do apartamento nos espera com o olhar da artista Frida Kahlo, em um quadro pendurado na parede vermelha. Noutro canto, um altarzinho rico em diversidade religiosa, com imagens de múltiplas crenças e culturas, abre nosso caminho. Cores vibrantes e expressões intensas anunciam o nosso ingresso ao mundo de Michel.

Com olhar empolgado, cheio de amor pelo que faz e vive, ele recebe em sua casa o Atitude Inicial: um encontro de apaixonados! Ele, essencialmente um contador e colecionador de histórias, que protagoniza a sua com desejo e intensidade. Nós, em busca de conectar pessoas assim como ele, que não se esquecem nunca de viver com verdade e levar sonhos a sério. Assim teve início esse dia, com tantos sentimentos misturados numa sala de estar cheia da personalidade do Michel.

Na verdade, essa identificação entre nós teve sua primeira faísca lá atrás, há alguns anos. O Atitude Inicial ainda nem tinha nascido, mas nossos idealizadores conheceram e nunca mais esqueceram o Michel, quando ele os entrevistou para uma reportagem sobre outro projeto social que participavam. Foi marcante para eles porque, antes mesmo de fazer a primeira pergunta, ele já sabia muito bem do que aquilo se tratava. Eles se lembram disso especialmente como algo incomum, e quase inédito: alguém vir até você interessado, sintonizado e cheio de empatia! Isso em meio ao tempo de hoje em que essas coisas não mais acontecem naturalmente como deveriam ser, onde imperam os encontros “no modo automático” e as rotinas que pouco saem da zona de conforto para descobrir novas realidades.

Captura de Tela (22)Por isso, decidimos inverter os papéis e fomos nós mergulhar na realidade de Michel, assim como ele também faz com tantas outras com o brilho no olho de todos os dias. Este é um papel que também é nosso e, inclusive, algo que acreditamos que deveria ser exercido por todos, um ofício humano muito mais do que próprio de jornalistas, produtores ou comunicadores. Que seja de qualquer pessoa em qualquer coisa que fizer: sair do seu quadrado e conhecer as múltiplas verdades sobre o mundo em que vivemos! Todas são válidas e merecem ser ouvidas, desde que sejam vividas por alguém que nelas acredita, e que transformem algo ou alguém para melhor, inclusive a nós enquanto ouvintes e aprendizes.

Com esse propósito, e pensando que contar histórias e conectar pessoas é a melhor forma de propagar ideias, fomos até o Michel para trabalhar o tema do Sedentarismo, para um projeto de conscientização (clique para saber mais sobre esse trabalho)  a ser executado dentro das empresas Tevisa e Linhares Geração, com seus colaboradores. Para essa produção, foi nosso ponto de partida encontrar quem sentiu e viveu essa questão pessoalmente. Nada melhor para falar de uma situação do que a visão de quem já foi afetado por ela. Sabíamos que o sedentarismo havia impactado a vida de Michel por algum tempo e o levou à sua recente cirurgia de perda de peso, como parte marcante de sua história. Fomos então descobrir o que essa mudança significa para além do corpo e da aparência, o que acontece por dentro de cada um que passa por casos como os dele. Afinal, entendemos que falar de saúde não é só falar de estética.

E assim ele nos mostrou, ao abrir sua casa e sua trajetória, um universo de coisas, sentimentos, momentos muito mais profundos que vêm a partir do sedentarismo – ou de qualquer outra forma de vida que nos esconda de nós mesmos e deixe de nos encorajar a viver bem. Até então, pensávamos estar falando apenas de um hábito específico, mas o olhar do Michel para isso nos levou a perceber que, na verdade, falamos do pacote completo que carrega o nosso jeito de viver. Dentro disso, nossas escolhas, nossos costumes e manias, nossas vivências.

Aí está o valor imensurável de buscar novas realidades para compreender algo: é perceber que nunca sabemos de tudo, e podemos descobrir um mundo inteiro novo com o jeito de enxergar do outro!

Michel nos revelou que ser sedentário (ou ser qualquer outra coisa que lhe prejudique) significava, também, ser muitas outras coisas que não eram exatamente o que ele esperava de si. Uma escolha insegura e irresponsável que fazemos ecoa em outras tantas atitudes, vícios e impactos para nós mesmos. Afinal, estamos o tempo todo conectados, e conectando tudo o que passa por nós.

A gente se refaz

O mais bonito e brilhante disso tudo foi acompanhar como Michel se reinventou. Foi ver como temos, sempre, a capacidade de ressignificar tudo a nossa volta e transformar em vida tudo o que já não mais fazia sentido! O Michel é exemplo disso. Em seu apreço por coleções, cores, personagens e formas, vai preenchendo coisinhas com a sua cara, deixando transbordar suas memórias e guardando consigo o tempo que ele já percorreu até hoje. As bonecas da Xuxa, os Smurfs, as miniaturas de pôneis coloridos da infância são a encarnação do desejo de Michel de sempre recordar e preservar nada mais que sua essência: assim como ele o faz ao refletir que, após a mudança para uma vida saudável e mais “bem vivida”, ele volta a resgatar a identidade e a pureza do Michel menino.

Captura de Tela (33)E depois de um duro período de rupturas bruscas, desgastes, desapegos e difíceis aprendizados decorrentes disso, a força de Michel é visível e têm seus contornos. Percebemos no brilho que entra pela sua varanda, nos cachorros e pássaros que vêm reconfortar seu canto, e no seu jardim repleto de vida, verde, ar fresco e energia serena. Enfim, é ali que Michel e nós nos acomodamos por um bom tempo. Nós escutamos. Ele desabafa, reflete e nos transmite um tanto de sua jornada, um tanto de inspiração!

Ao lado dele por um dia, nós vamos sendo levados por suas perspectivas, pelo seu passado e pelo que há de novo a partir disso. Enquanto passamos uma manhã inteira navegando pelo universo do Michel, somos lembrados da simples e importante tarefa de ser exatamente quem somos, e ponto. E isso inclui, além de nos aceitar, nos comprometer com quem queremos ser, sendo verdadeiros consigo mesmos em tudo aquilo que fazemos.

Com isso, encontrar o nosso próprio olhar para a beleza oculta de cada pequeno momento pelo qual percorremos. Talvez seja esse um sentido e uma razão para a qual vivemos. Pelo menos é para Michel, e passa também a ser para nós.

Sobre Lais Rocio

Jornalista dedicada a ser, essencialmente, contadora de histórias! Apaixonada pela literatura da vida real, por investigação e pelas narrativas de culturas e tradições. Deposita em todas as experiências que desempenha, o olhar sensível e curioso, com desejo de aprender, descobrir e ser transformada pelas múltiplas realidades que as escolhem para enxergar.