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A cor é verde – Um relato sobre o Trilha.Lab

Sabe quando você vive alguma coisa tão especial que a emoção não cabe dentro de você? Foi assim que a Júlia se sentiu depois de passar por várias cidades pra cumprir a fase de mobilização do Trilha.Lab, nosso laboratório de protagonismo jovem feito em parceria com a Vale. No fim da viagem, ela condensou toda a emoção da sua primeira experiência aqui na Atitude em palavras e escreveu um relato super intenso, íntimo e pessoal, que vocês podem ler a seguir. Vem mergulhar um pouquinho com a gente e descobrir como dá pra sentir através das palavras:

A cor é verde

Houve uma cor que predominou para qualquer lado que eu olhasse da janela do carro, enquanto ele era conduzido pelas diversas estradas do percurso: o verde. Havia verde por toda a parte, para muito além do horizonte. Havia verde onde os olhos não alcançavam, mas eu sabia que estava lá. Havia verde em tons mais claros e também um pouco mais escuro. Era um verde que trazia certa paz. Era uma bela visão.

E então recordei-me que a cor verde não só compõe a paisagem, como também significa esperança, exatamente o que foi possível ver nas pessoas que eu encontrei ao longo do caminho. Havia muito verde nelas. Eu vi no olhar, nas palavras e nos gestos. Era uma bela visão.

Estava no olhar de uma mulher comprometida em fazer a diferença na comunidade onde mora; nas palavras de uma jovem que está incomodada com a atual realidade do meio em que vive, e quer fazer algo a respeito; nos gestos de uma educadora que contou com empolgação histórias sobre sua vida e que me inspirou a viver as minhas próprias histórias também.

Eu encontrei o verde até mesmo em meio ao silêncio, quando nenhuma palavra foi dita. Ainda assim, lá estava ele nos olhos dos jovens que apenas me observavam enquanto eu falava. Devo confessar que, eu também vi uma certa desconfiança no olhar, afinal, algo estava sendo ofertado a eles. E então eu me perguntei, quanta coisa já foi oferecida a aquelas pessoas, e no fim das contas, nada lhes foi entregue?

E minha mente foi despertada para uma outra questão: será que eles têm a consciência de que são capazes de fazer coisas grandiosas a parti do verde que há neles? A verdade, é que pode sempre haver verde em nós, mesmo que em pouca quantidade, mesmo que esteja escondido. De repente, se faz necessário apenas um empurrão para que ele comece a florescer.

Então, de nada valem certas palavras se elas não forem seguidas pelas ações. E eu percebi que é disso que aqueles jovens necessitam – de alguém que esteja junto deles na hora da ação, para que eles comecem a entender que as coisas são realmente possíveis. E então o verde que talvez fosse apenas uma mancha pequena, venha se tornar uma pintura completa.

Consigo enxergar o verde em toda a parte, isso se eu me permitir ver além, se eu deixar o meu olhar sensível para o que me é apresentado, se eu me deixar ser tocada no coração de verdade.

E para a minha surpresa, ao ver todo esse emaranhado de verde, descobri que há mais verde em mim do que eu imaginava. Ele tem realmente esse poder de ser transmitido de pessoa para pessoa, e eu creio que é exatamente isso que o Trilha.Lab veio proporcionar para ambos os lados: o compartilhamento da esperança.

Me faz pensar que em resumo, estamos no mundo justamente por causa disso, para criarmos esperança dentro de nós e em seguida coloca-la para fora. Para dizermos que “tudo é possível”, e tentarmos mostrar isso de fato, da melhor maneira.

Penso no tanto de verde que está louco para saltar para fora da caixa, e uma vez descoberto, imagina o que ele será capaz de fazer em pequenas e grandes proporções. O verde que por tanto tempo esteve adormecido, porque simplesmente não havia motivos para despertar.

Durante esses 4 dias houve uma predominância absoluta de verde. Para onde quer que eu olhasse, lá estava ele. Vivo. As vezes escondido, mas vivo.

Era uma bela visão.

– Texto por: Júlia Ribeiro

 

Vitória Bordon

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