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Marcas invisíveis

A invisibilidade marca a presença daquilo que não é visto, mas que de alguma forma existe, é sentido e causa impactos. Para realizar uma intervenção abordando as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s), em sintonia com o início da campanha do Dezembro Vermelho, ligada a esse tema em todo o Brasil, focamos o olhar nas sensações, dores e marcas invisíveis deixadas pelas IST’s.

Invisíveis porque, por vezes, nem sequer expressam sinais ou sintomas. Invisíveis por não serem identificadas no rosto, aparência, nome ou endereço daqueles que acabam sendo afetados por elas. Invisíveis também por serem escondidas pelos tabus e preconceitos, ocultadas pela vergonha e o medo de tratar, bem como veladas pela desinformação que distorce suas causas e espalha mitos.

Nessa intervenção buscamos tornar tudo isso visível, por meio do olhar sensível, do conhecimento e da reflexão . Assim, atuamos com o propósito de tornar a prevenção contra as Infecções Sexualmente Transmissíveis uma causa de todos, sem qualquer pudor em dizer que qualquer um de nós pode ser vítima das IST’s, e sem a menor vergonha de tratar as relações sexuais com responsabilidade, proteção e cuidado!


Foi com essa visão que o projeto “Marcas Invisíveis” chegou aos colaboradores e espaços comuns das parceiras Tevisa S.A  e Linhares Geração, promovendo atividades e recursos que despertam a interação, participação e a descoberta coletiva.

Com isso, uma experiência lúdica, curiosa e cheia de provocações foi a forma escolhida por nós para chegar à reflexão séria e ao debate responsável.

A intervenção se iniciava com a entrega de papéis com diferentes símbolos para os participantes, seguida do comando de simplesmente conversarem. E ao final de cada conversa, deveriam registrar nos papéis os símbolos um do outro, somando-se ao símbolo que cada um tinha originalmente. Apagavam-se as luzes, a visão de tudo se limitava e apenas alguns símbolos passavam a brilhar no escuro, por conta do efeito da luz negra. No entanto, esses poucos símbolos estavam espalhados com vários outros participantes, que tiveram contato com quem continha os sinais fluorescentes nos papéis recebidos.

Em meio à essa descoberta, do silêncio e da escuridão surgia um único som: as vozes de pessoas portadoras de diversas Infecções Sexualmente Transmissíveis. Histórias de muitos que são, no mundo real, tais como esses símbolos: diferentes dos demais e ao mesmo tempo imperceptíveis. Surgiam relatos das dores, das angústias, dos preconceitos e sentimentos que faziam parte da vida dessas pessoas, tal como foi dito em um desses relatos:

[O HIV] É uma informação ao meu respeito assim como tantas outras. Essa informação não define quem eu sou.”

Concluimos todo esse momento deixando a mensagem de que, enfim, as Infecções Sexualmente Transmissíveis devem ser tratadas apenas com a prevenção, o acompanhamento médico necessário, o cuidado e amor que protegem e remediam incidentes como esses ou quaisquer outros.

 

 

Publicado: 27 de fevereiro de 2018